Vocalista da Rubatosis fala sobre álbum “Carta ao meu ego” e a participação no Facomsom

A conversa também passou por temas como carreira, financiamento coletivo e inspirações

Por Madson Souza

Provavelmente todo mundo já sonhou em ter uma banda e viver como uma estrela da música. A Rubatosis é a tentativa do vocalista Luenner Setúbal, com Moacir Passos no baixo, João Paulo Belfort na guitarra e a bateria fica por conta de Nicolas Kolbe.  

O grupo soteropolitano é autor do EP “O menino de azul”, de 2017 e do recente “Carta ao meu ego”, de 2019, seu primeiro álbum, com doze faixas e que é parte de uma nova identidade do conjunto. O trabalho foi realizado com os recursos da campanha de financiamento coletivo realizado na Benfeitoria, com meta de R$6.000 e que arrecadou R$6.110.

A Rubatosis foi criada em 2016 e já possui uma série de feitos, como 3 prêmios no Festival de Música Universitária de Salvador (MUSA), incluindo o de melhor banda em 2017 e o de melhor em música em 2018, com “Placebo”. Também já lançaram música com participação do cantor Pedro Pondé e abriram dois shows da Zimbra. 

Vamos ver como foi o bate-papo com o vocalista Luenner Setúbal, sobre o novo álbum, carreira e expectativas pro Facomsom: 

Então, por que Rubatosis?
Essa é uma pergunta que a galera faz muito pra gente. O nome caiu em nossas mãos para ser o nome da banda de uma maneira quase que flutuosa. Literalmente caiu no nosso colo, porque uma amiga minha compartilhou “Desalma”, que é uma música do primeiro EP e disse que a música trazia a ela Rubatosis. Então, a gente foi pesquisar e descobriu que é uma dessas palavras do dicionário urbano que criam pra sentimentos que não tem nome. E é o sentimento de você escutar o próprio batimento cardíaco, só escutar seu batimento cardíaco. E achamos muito bonito. Ela escuta o próprio batimento cardíaco ouvindo nossa música. E aí curtimos muito e depois, precisando de um nome para a banda decidimos colocar Rubatosis. 

Vocês se definem em que gênero musical?
Tá aí uma pergunta complexa. Porque não sabemos muito o que dizer o que a gente é. Gostamos de nos dizer rock alternativo, indie rock alternativo. Acabamos variando muito nossas músicas, conseguimos chegar até aquela batida de trap, que é “Karamelo”, e vai de “A Nota”, que é pop, pra “10 minutos”, que é um rock pesado. Gostamos de mesclar bastante. Variamos de um rock alternativo indie e a baianidade. 

Quais são as inspirações musicais de vocês?
Cada membro tem uma vertente diferente que traz muito pra banda e eu gosto muito da banda por causa disso. O baixista (Moacir) é mais indie, então as referências dele são Arctic Monkeys, Arcade Fire, Bon Iver; nosso guitarrista (João Paulo) é mais do metal, ele gosta mais de Asking Alexandria, Avanged Sevenforld; minhas referências são mais MPB, como Chico Buarque, Caetano, Rodrigo Amarante; e o nosso baterista (Nicolas Kolbe) ele é puro Scar, puro Jazz, por isso que a bateria é meio acelerada. Da banda toda eu diria que Zimbra, a gente gosta muito de Zimbra, Arctic Monkeys, Maglore e Selvagens (a procura de lei). 

Como é o processo de composição de vocês?
Bom, quem compõe as músicas na banda sou eu e o baixista Moacir Passos. Cada um compõe em sua própria casa, geralmente com o violão, de madrugada. A gente para quando tá sentindo alguma coisa e tenta expressar com música. Basicamente, a arte é nosso de expressar os sentimentos. 

Vocês começaram em 2016, né? Qual a diferença daquela Rubatosis para a banda de hoje?
Sim. Eu queria muito, muito, muito que você me fizesse essa pergunta. Eu tava me preparando, tomando banho e pensando na resposta. Quando começamos a banda tínhamos outra cabeça. Muito mais infantil, muito mais juvenil. Queríamos criar uma banda, a gente precisava criar uma banda, a gente gosta disso, a gente sabe fazer, então vamos fazer e acontecer. Tínhamos umas coisas meio largadas, meio soltas do que a gente queria ser. Tocamos um som meio infantil, até dá pra perceber. O EP “O Menino de azul”, é um pouco mais infantil que o “Carta ao meu ego”, que é um amadurecimento muito grande. Tem um conceito no álbum, é uma coisa muito fechada. Mudamos muito em questão de amadurecimento, também mudamos integrantes e mudamos o nosso som. Antigamente era outro baterista e trocamos pra Nicholas e ele agregou muito bem. É isso. A diferença é a maturidade e o som, né?! Conseguimos deixar nosso som mais sólido, mais denso. 

Como foi o processo de financiamento coletivo na Benfeitoria?
Foi uma loucura! Eu tava com muito medo de fazer. Moacir Passos, o baixista, tava crendo muito que ia dar certo. Ele acreditou muito nos fãs, assim como Breno Maia, um dos nossos produtores. A gente ficou meio com medo, meio cabrero. Insistiram e começamos a fazer, criamos os kits, os sistemas de recompensas. Quando começou a galera ajudou muito. A gente é muito grato a todos os nossos fãs por terem colaborado com o financiamento do “Carta ao meu ego”. De verdade! A gente é muito grato, muito grato mesmo. Sempre vai ser. 

E por que vocês sentiram que precisavam do financiamento coletivo para a produção desse álbum, diferente do EP (O menino de azul) que vocês mesmo produziram?
Exatamente por causa disso. Porque a gente tá passando por esse processo de amadurecimento e precisávamos de um som mais sólido, um som mais denso. E pra isso a gente precisava mudar de cara. Mudamos de logo, por exemplo, a gente criou a logo das ondinhas, que é a Rubatosis, as ondas sonoras e as ondas do batimento cardíaco. A gente queria jogar essa marca como cara da banda, queria produzir camisa, adesivos, cds físicos e queria deixar o álbum pronto. No mais perfeito nível de som que a gente pudesse atingir, que era com uma masterização boa, uma mixagem boa. Por isso, precisamos do financiamento coletivo.

Qual sua preferida no álbum?
Essa é uma pergunta difícil. Gosto muito de todas. Eu sou muito fã do meu próprio trabalho de verdade. Me sinto muito orgulhoso das composições. FIco bastante tempo compondo as coisas, sou muito criterioso em relação a composição. Acho que minha preferida, a que mais tenho sentimento forte é “Placebo”, é a que mais mexe comigo. Me emociono no palco cantando ela, chego a lacrimejar e tudo mais. Acho que Placebo é minha preferida de verdade. Mas, tenho muito apreço por Tatuagem, é meu xodozinho. Ainda mais a versão acústica.

O que vocês querem dizer com o “Carta ao meu ego”?
Pensamos no conceito em mesclar o nome da banda, com o que as músicas queriam passar e com o que a gente queria ser a partir de agora. Criamos esse conceito minimalista, melancólico e, por isso, usamos o nome “Carta ao meu ego”. Que é até um frase da música “H”. É como se fossem músicas em que a pessoa conversa com ela mesmo, como se escutasse as próprias emoções e tivesse conversando com elas. O que é mais ou menos Rubatosis, que é você escutar seu próprio batimento cardíaco. É mais ou menos isso. Carta ao meu ego” é você conversar com você mesmo. Tentamos trazer esse conceito minimalista pra deixar as coisas mais melancólicas. O minimalismo traz um pouco da melancolia. É esse conceito aí de conversa com o interior, ainda mais em relação a relacionamento. 

Podemos dizer que os fãs de vocês são os “Rubapocs”?
(risos) A gente chamava assim. Alguns gostam de se chamar Rubafãs. Mas, eu sou totalmente a favor de aderirmos a partir de agora oficialmente os Rubapocs.

Qual é a expectativa de vocês para tocar no Facomsom? Festival que bandas como Maglore e Afrocidade já tocaram.
Estamos muito felizes! E muito nervosos também. Expectativas muito altas em relação ao festival. É um festival que já queríamos tocar há um tempo. Quando ficamos sabendo que fomos selecionados ficamos muito alegres, saímos pra comemorar e tudo mais. Estamos com expectativas de que seja maravilhoso. Fui na edição passada do Facomsom e foi perfeito. Aí falei: Quero isso aqui, quero tocar nisso aqui. Só tenho a agradecer a Facom e a Produtora Jr. Estamos muito felizes, muito ansiosos!

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