BI na UFBA: conheça a graduação que propõe ampla formação aos estudantes

O BI é uma opção para os indecisos que ainda não sabem qual área querem seguir, ou querem experimentar o que a universidade tem a oferecer

Por Lua Gama

Muitos estudantes ingressam na universidade sem estarem seguros quanto ao curso escolhido. Para alguns, a pressão em ter que escolher algo que por 5 anos, em média, estará presente em suas vidas é angustiante. Com o propósito de auxiliar esses alunos e outros que buscam uma vasta formação acadêmica, foram criado, em 2005, pelo Ministério da Educação (MEC), os Bacharelados Interdisciplinares (BI): formação acadêmica baseada na interdisciplinaridade entre as áreas do conhecimento. Na UFBA, a graduação completou 10 anos em 2018 e já formou mais de dois mil alunos.

O Bacharelado Interdisciplinar é uma opção de graduação que proporciona aos estudantes uma ampla flexibilidade na organização das disciplinas que deseja cursar ao longo do curso. Enquanto aprende uma visão mais geral da área que estuda no BI, quem optar por essa formação tem a chance de cursar disciplinas de outros cursos da universidade mesmo que esteja fora da área do bacharelado. Outra possibilidade é direcionar o currículo acadêmico para uma área de afinidade dentro do BI de ingresso. Na UFBA, a entrada para essa graduação ocorre no primeiro semestre do ano através do Sistema de Seleção Unificada (SISU).

O diploma emitido nesse curso é certificado pelo MEC como o de um curso tradicional. Com isso, após concluir o BI, o aluno poderá entrar diretamente no mercado de trabalho atuando como um profissional generalista, fazer cursos de pós-graduação e especialização ou prestar concursos públicos, desde que não exijam uma formação superior específica. O aluno tem também a opção de concluir o BI e cursar uma graduação tradicional na UFBA sem vestibular.

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(Foto: Felipe Vaqueiro)
(Foto: Felipe Vaqueiro)

Um dos perfis de alunos que optam pelo BI e não por um curso tradicional são estudantes que estão em dúvida na escolha da carreira.

“São alunos que querem ampliar sua formação ou experimentar um pouco mais para fazer uma escolha da carreira que deseja seguir”, conta o assistente da direção do IHAC, sede do BI UFBA, Jeilson Andrade.

Ele explica que o BI não é uma graduação profissionalizante como um curso tradicional, portanto, não capacita o aluno para profissões mais específicas como engenharia e medicina. “Um curso de progressão linear tradicional habilita o estudante para uma determinada carreira. Já o BI é um curso de formação geral que não habilita para uma profissão que exija um determinado conhecimento”, esclarece.

Bacharelado Interdisciplinar na UFBA
A Universidade Federal da Bahia foi uma das primeiras instituições públicas do País a oferecer essa graduação. O BI foi implantado na universidade em razão da expansão da educação superior com o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), lançado em 2007 com o objetivo de ampliar e melhorar o acesso ao ensino superior público.  

Na UFBA, existem quatro grandes áreas de conhecimento que fazem parte do bacharelado interdisciplinar: humanidades, artes, saúde e ciência e tecnologia, que proporcionam uma formação geral humanística, científica e artística. Todos os cursos possuem vagas para os turnos diurno e noturno. Em média, os alunos do BI concluem o curso em seis semestres, com o prazo máximo de dez semestres.

Como a proposta dessa modalidade de bacharelado é propor uma articulação entre as áreas do conhecimento, a grade curricular do curso é flexível, composta por atividades complementares, componentes com livre escolha do aluno, disciplinas obrigatórias, optativas da grande área escolhida e optativas que devem ser preenchidas com matérias de outras áreas do bacharelado.

No BI da UFBA, o estudante tem duas opções de formação: poderá permanecer na grande área ou ingressar em uma área de concentração. Algumas disciplinas obrigatórias e uma parte da carga horária da matriz curricular, conhecida como ciclo básico, é a mesma para as duas modalidades até o terceiro semestre. Depois do terceiro, o aluno opta por escolher uma dessas duas opções. Ambas as modalidades possuem o mesmo período de formação: mínimo três anos e o máximo de cinco anos. Nas duas opções não é obrigatório a realização do estágio e do TCC.     

As opções de formação dentro do BI
A grande área é uma formação geral, ou seja, o aluno estuda conteúdos gerais da área escolhida. A partir do quarto semestre, o currículo acadêmico será composto por um maior número de matérias da área do BI de ingresso e não mais pelas disciplinas das outras áreas, mas poderá pegar como optativa. Ao término da graduação, o aluno poderá trabalhar como um profissional generalista e terá o diploma de bacharel na área, por exemplo, bacharel em humanidades.

Caso o aluno termine o terceiro semestre sem solicitar a entrada em uma área de concentração, automaticamente permanecerá na grande área. A matrícula e ajuste dos componentes curriculares para os alunos dessa modalidade é feita pela internet, já que o colegiado do BI reúne as vagas residuais de todos os cursos que sejam interessantes para os alunos e disponibiliza para o bacharelado interdisciplinar.

Já a área de concentração é uma modalidade que funciona como um tipo de  “especialização” dentro do bacharelado interdisciplinar, com opções para cada área do BI. Por exemplo: em humanidades estão disponíveis a área de concentração em estudos em relações internacionais e também em cinema e audiovisual. O ingresso para a AC ocorre depois de concluir o ciclo básico até o terceiro semestre e, depois disso, a grade curricular será voltada para a área de concentração escolhida, com matérias disponíveis apenas para os alunos da área de concentração.

A entrada para a área de concentração ocorre anualmente no segundo semestre, por meio de um processo seletivo realizado pelo colegiado do IHAC no semestre anterior ao de ingresso. Quem optar pela AC, deverá cumprir alguns requisitos para ter a vaga: concluir a carga horária do ciclo básico, ter um determinado coeficiente de rendimento e cumprir boa parte das atividades complementares. Com isso, é feito um ranking que classifica os alunos de acordo com o cumprimento desses requisitos e o número total de vagas disponíveis.

Ao concluir o BI, o formando terá diploma de bacharel com a área de concentração, por exemplo, bacharel em humanidades com concentração em cinema e audiovisual. As áreas de concentração relacionadas a música e teatro disponíveis para o do BI de Artes, exigem a realização de uma prova de habilidades específicas para o ingresso. Quem fizer a prova, não terá que repeti-la ao entrar em um curso tradicional nessas áreas depois de terminar o bacharelado. A matrícula das disciplinas dessa modalidade é feita de forma presencial para não misturar as disciplinas reservadas a área de concentração, com as matérias da grande área.

Novo curso sem vestibular
Com o diploma do bacharelado interdisciplinar, o formando tem a opção de iniciar uma graduação de progressão linear na UFBA (CPL), sem a necessidade de realizar um novo vestibular, desde que o curso escolhido esteja relacionado a área de formação. “Os cursos em geral, guardam uma afinidade com a área do BI. Por exemplo, os cursos da área de humanas recebe os egressos de humanidades. Há um exceção em alguns cursos como gastronomia, que recebe alunos de todos os BIs”, esclarece.

Cerca de 86% dos alunos formados no BI optaram por algum curso de graduação tradicional após o término do bacharelado. Todos os cursos da universidade reservam 20% das vagas disponíveis para os egressos do BI e assim como a área de concentração, é preciso passar por um processo seletivo para ter a vaga.

A chamada é feita anualmente entre o segundo semestre de um ano letivo e o primeiro do próximo, pela internet. O departamento responsável pelo processo de seleção é a Pró-Reitoria de Ensino de Graduação (PROGRAD), por meio da Coordenação de Seleção, Orientação e Avaliação (SSOA), que lança o Edital com todas as informações. Para ter acesso ao edital, basta acessar o site e clicar na aba “egressos UFBA”. Também consta no site, uma relação de qual BI é aceito em cada curso da universidade.

Durante a inscrição, o candidato optará por até três cursos e indicará a ordem de preferência. Novamente é levado em conta o coeficiente de rendimento acadêmico do estudante durante o BI. Além disso, Jeilson Andrade conta que algumas matérias que o aluno cursou no bacharelado interdisciplinar têm determinados pesos na ordem de classificação.

“Se o aluno fez o BI em humanidades, pensa em ir para um curso de comunicação e dentro do BI, fez determinadas matérias de comunicação, essas matérias têm um peso maior. As outras matérias têm um peso menor”, explica. Caso o número de vagas disponíveis para o curso seja maior que a quantidade de candidatos, o aluno é automaticamente aprovado na seleção.  

 

Vantagens da interdisciplinaridade
Andrade conta que o BI proporciona uma ampla formação em relação a uma graduação tradicional. Ele exemplifica citando os cursos da área das exatas que não possuem muitas disciplinas referentes à língua portuguesa e não estimulam a escrita dos alunos. “No Bacharelado de C&T o aluno tem disciplinas como ‘leitura e produção de textos em língua portuguesa’, que enriquece culturalmente e intelectualmente o aluno e isso se traduz nessa formação robusta que a gente tanto batalha”, cita.

Ele defende que o bacharelado interdisciplinar é uma opção para evitar a evasão e a troca de cursos que ocorre dentro das universidades. “A gente entende que um curso que propicia uma formação geral favorece o aluno quando ele for fazer a escolha para um outro curso. Ele vai fazer uma escolha muito mais acertada, evitando o trânsito entre os cursos”, diz Andrade.

Com tantas possibilidades disponíveis, há quem tenha passado por todas na UFBA. É o caso do estudante Thales Macêdo, que se formou no BI em Humanidades com concentração em Estudos em Relações Internacionais, no ano passado. Logo depois, entrou para o curso de economia por meio da reserva de vagas e, recentemente, foi aprovado para o programa de pós-graduação em relações internacionais na universidade.

Ele conta que estava indeciso em qual curso seguir depois do ensino médio: psicologia ou economia e, por essa razão, optou pelo BI. “Estava em dúvida e vi que o BI poderia ser um meio para descobrir qual dos cursos poderia cursar. Mas dentro do curso, percebi que não estava só em dúvida sobre esse cursos, porque poderia escolher vários outros”, diz.

Mesmo ter escolhido economia, a experiência no BI proporcionou que ele pudesse conhecer a área de relações internacionais e entrar em uma especialização com o diploma do bacharelado. “Durante o curso de economia, pedi para ser voluntário no grupo de pesquisa do IHAC na área de RI e cursei algumas disciplinas avançadas que me ajudaram na seleção do mestrado. Esse é um dos benefícios do BI: você consegue experimentar vários áreas do conhecimento”, salienta.
Experimentar o que a universidade tem a oferecer, também é um dos pontos positivos defendido pela estudante do BI em ciência e tecnologia Camila Coelho, que considera positiva a interdisciplinaridade que o curso proporciona. “Uma das coisas que mais me encanta é a pluralidade dentro do BI. O curso te faz ter uma percepção de vários mundos além do que você vive. Lidar com outras experiências é muito enriquecedor”, afirma.

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