Escola de Teatro: licenciatura ou bacharelado?

O ensino na instituição se consolida em três eixos de atuação: interpretação, direção e licenciatura

Por Kalú Santana

Fundada em 1956, a Escola de Teatro da UFBA foi apresentada como uma escola de formação acadêmica para atores e diretores de teatro. Fez parte de um plano cultural do Reitor Edgar Santos que organizou as escolas de arte e incorporou à universidade a Escola de Belas Artes.

Baseando-se no princípio conhecido pelos profissionais do palco – “Teatro se aprende na prática” – a Escola busca, através das suas atividades, oferecer a vivência do fazer artístico em conjunto com os estudos teóricos. Além de testar o desempenho dos estudantes atuando e dirigindo montagens didáticas nas disciplinas do currículo.

Diferenças
Apesar de estarem em uma mesma instituição, os cursos da Escola de Teatro possuem muitas diferenças, a começar pelo direcionamento que cada um deles tem. Para o Bacharelado em Artes Cênicas, existem duas habilitações: Interpretação e Direção. A primeira é orientada à formação de atrizes e atores para a cena, enquanto que a segunda gradua Diretoras e Diretores de Teatro. Já o curso de Licenciatura em Teatro credencia educadores ao ensino de teatro nas instituições de ensino.

O currículo é outro ponto onde os cursos se diferenciam. Divididos em três fases – propedêutica, consolidação e profissionalização –  a única em que os estudantes pegam disciplinas em comum é a primeira. A partir da segunda fase, as turmas individualizam-se nas matérias específicas de seus cursos. Na última fase, ocorrem as disciplinas de formação e finalização de curso.

Não existem pré-requisitos dentro das fases, exceto para alguns componentes específicos, como os estágios obrigatórios da licenciatura.

Para a licenciatura, na segunda fase, diferentemente do curso de artes cênicas, as disciplinas práticas de teatro tem sua carga horária bastante reduzida. George Mascarenhas, professor e coordenador do colegiado da graduação explica que, atendendo uma resolução do conselho de educação, de 2015, que altera o comportamento das licenciaturas, está em desenvolvimento um ajuste, que muda este quadro:

A proposta, com previsão de implementação para o ano de 2019, é de que desde a segunda fase, até o 7º semestre, se tenha uma disciplina prática de teatro, em cada semestre. Nesse sentido, buscamos equilibrar e ampliar a carga horária das disciplinas didático-pedagógica para o curso de Licenciatura”.

As diferenças, a partir da segunda fase, também aparecem para a interpretação e direção. Na fase da consolidação, quarto, quinto e sexto semestres, os discentes encontram disciplinas teórico/práticas que trabalham conceitos teatrais de cada habilitação. Na última  etapa, são realizadas as pré-formaturas e formatura com a construção de um espetáculo teatral para cada uma.

Já na licenciatura, o trabalho de conclusão de curso (TCC), que deve ser apresentado no final, é elaborado com o auxílio de disciplinas como Laboratório de Escrita Monográfica em Pedagogia e Teatro (I até a III) e Trabalho de Conclusão de Curso.

O coordenador opina que os estudantes também busquem diálogo entre os cursos.  “É sugestão nossa que, através das disciplinas optativas, que são abertas à todos, esta interdisciplinaridade possa acontecer. A alteração que realizamos no projeto pedagógico, da impossibilidade do aluno estudar uma disciplina de outros cursos, também é uma alternativa para esta demanda”.

Dúvidas
Com um campo tão vasto de possibilidades, surgem muitas dúvidas sobre o que é realizável ou não dentro da instituição ETUFBA. Para o estudante de licenciatura, Carlos Eduardo, ainda era uma dúvida se poderia se matricular em uma disciplina de outra habilitação ou outro curso, da instituição. O coordenador do colegiado da graduação afirma que sim. 

No projeto pedagógico original de todos os cursos isso não era permitido, mas foi feita uma pequena alteração, através de reuniões interdepartamentais, do colegiado e com a congregação da escola, ficando permitido, aos estudantes, cursarem as disciplinas, da fase de consolidação de outros cursos, como disciplinas optativas.”

No entanto, ele faz uma ressalva. “As vagas são prioritárias para os estudantes do curso, tendo sobra de vagas, a matrícula é efetivada, mas é preciso observar o limite da carga horária que é permitido pelo regulamento de ensino da graduação”.

A estudante de licenciatura Juliana Monique e o estudante de interpretação Fábio Nascimento apresentaram uma dúvida em comum: como migrar para outra habilitação ou curso, aproveitando a graduação que já está em curso?

Juliana Monique é estudante da Escola de Teatro (Foto: Felipe Vaqueiro)
Juliana Monique é estudante da Escola de Teatro (Foto: Felipe Vaqueiro)

George explica: “no mês anterior à conclusão do curso, o estudante entra no colegiado com um ofício pedindo para migrar de curso, isso fica sujeito à existência de vagas, mas a gente tem conseguido fazer, na maioria dos casos. Então, depois que o estudante conclui, ele passa para outra habilitação, com outro número de matrícula para o Supac, sem necessidade de fazer processo seletivo”.

Sobre o aproveitamento de disciplinas já cursadas, é necessário fazer uma solicitação. “Matriculado na graduação pretendida, o estudante entra no 4º semestre, já que a propedêutica é comum à todos os cursos. Para o aproveitamento das disciplinas cursadas, é necessário fazer o pedido através de processo. O estudante entra com o pedido, o colegiado analisa e as disciplinas em comum são aproveitadas, as demais ficam sujeitas a avaliação”.

Ele também pondera uma diferença sobre o tipo de trânsito entre os cursos. “Existe um trânsito que é mais difícil, por exemplo, do estudante que sai do bacharelado e vai pra licenciatura porque, na segunda fase, praticamente não se tem nenhuma disciplina em comum, mas, entre os bacharelados, o estudante só precisa cursar as disciplinas de laboratório, que são diferentes”.

Os cursos, trajetórias e organização
Até 1963, os cursos da escola eram livres, com o curso de Direção Teatral classificado como de nível superior, e o de Formação do Ator, de nível médio. Em 1983 é fundado o Bacharelado em Artes Cênicas, com as habilitações em Direção Teatral e Interpretação Teatral. O último a ser criado foi a Licenciatura em Teatro, em 1986.

A graduação oferece aos alunos que ingressam anualmente na Escola através do SISU e os testes de habilidades específicas, um currículo com duração média de 4 anos. Aulas de direção, interpretação teatral, dramaturgia, história do teatro e artes visuais são algumas das disciplinas desenvolvidas. Ao longo do curso, o estudante é estimulado a participar de montagens, espetáculos e mostras públicas, fundamentando sua formação artística/profissional, experimentando os recursos cênicos que teve acesso.

Atualmente o currículo está dividido em três fases, na primeira, a propedêutica, os estudantes frequentam 9 disciplinas em comum. A partir da segunda fase, a consolidação, as turmas individualizam-se, com disciplinas específicas para cada curso. Na última fase, a profissionalização, ocorrem as disciplinas de formação e finalização de curso.

Um comentário em “Escola de Teatro: licenciatura ou bacharelado?

  • 6 de junho de 2019 a 23:37
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    Muito exclarecedor esse texto!

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