Cineclube Quabales celebra o Julho das Pretas com mostra de curtas e batalha de rimas do Movimento Brabas Salcity
O Instituto Quabales realiza, amanhã (31), às 18h, a sexta edição do Cineclube Quabales. Em homenagem ao Julho das Pretas, a programação será dedicada às histórias, experiências, identidades e formas de resistência das mulheres negras, reunindo cinema nacional, cultura hip-hop e poesia no Nordeste de Amaralina, em Salvador.
A sessão contará com a exibição dos curtas-metragens “Tia Ciata”, “Mulher do Fim do Mundo”, “A Arte Arde” e “Qual é o Crime?”. As obras foram selecionadas a partir de temáticas que atravessam as narrativas sobre as mulheres negras no Brasil, abordando protagonismo comunitário, memória, ancestralidade, futuro, identidade, estética e afirmação política. Com direção de Raquel Beatriz e Mariana Campos, o documentário “Tia Ciata” evidencia o protagonismo feminino negro por meio da trajetória de Hilária Batista de Almeida, importante liderança comunitária e religiosa que articulou redes de solidariedade e teve participação decisiva na preservação e consolidação de matrizes culturais afro-brasileiras.
Dirigido pela baiana Ana do Carmo, o curta “Mulher do Fim do Mundo”, acompanha Benedita e a menina Lua, duas mulheres negras sobreviventes de um mundo que entrou em colapso. Enquanto Benedita, marcada por experiências de silenciamento e dor, tenta proteger a criança, Lua busca fazer um pequeno rádio funcionar na esperança de estabelecer contato com outros possíveis sobreviventes. Com direção de Bete Araújo, o filme “A Arte Arde” nasce da inquietação diante das relações afetivas e das reações provocadas quando uma mulher ocupa um lugar de ascensão e protagonismo. Entre desejo, orgulho e frustração, a obra atravessa as tensões de uma relação na qual o afeto e a disputa passam a caminhar lado a lado, evidenciando os impactos do ego masculino diante da autonomia e do crescimento feminino.
Já “Qual o Crime?”, da diretora Zanza, propõe uma reflexão sobre a necessidade de preparação das instituições públicas de ensino para abordar, de maneira responsável e crítica, o debate relacionado ao consumo recreativo da maconha. Ao apresentar informações e estimular o senso crítico do público, o filme questiona os interesses envolvidos na marginalização da substância e convida a sociedade a discutir o tema para além dos estigmas, dos preconceitos e das respostas exclusivamente punitivas.
Reunindo diferentes linguagens e perspectivas, as obras abordam temas como protagonismo feminino negro, memória, ancestralidade, identidade, relações de gênero, autonomia das mulheres, desigualdades sociais, estigmatização e afirmação política. A seleção propõe um encontro entre cinema, formação crítica e questões que atravessam as experiências das populações negras e periféricas. Após as exibições e a tradicional roda de debate sobre os filmes, a programação da noite será encerrada com uma batalha de rimas promovida pelo Movimento Brabas Salcity, ampliando o diálogo entre cinema, oralidade, música, juventude e cultura urbana.
Criado em Salvador em 2025, o Movimento Brabas Salcity surgiu da necessidade de construir espaços seguros, representativos e potentes dentro da cultura hip-hop. Mais do que uma batalha de rima, a iniciativa atua como um território de encontro, expressão artística, pertencimento e resistência para mulheres, pessoas negras, periféricas e LGBTQIAPN+. Por meio das batalhas, da música, da poesia, da dança, do grafite e da construção comunitária, o movimento fortalece vozes historicamente silenciadas e cria novas possibilidades de presença e atuação dentro do hip-hop.
A participação do Brabas Salcity dialoga diretamente com a proposta desta edição do Cineclube ao reconhecer a cultura como instrumento de transformação social e ao fortalecer a presença de mulheres negras e pessoas LGBTQIAPN+ nas artes urbanas. A batalha de encerramento transforma o público também em participante do encontro, conectando as narrativas apresentadas na tela às vozes, experiências e criações que movimentam a cidade.
O Cineclube Quabales é uma iniciativa do Instituto Quabales voltada à democratização do acesso ao cinema, à formação de público e à valorização das produções culturais brasileiras. Realizado na sede da instituição, o projeto aproxima artistas, realizadores, coletivos, estudantes, educadores, moradores e público em geral, promovendo experiências de convivência, escuta e reflexão coletiva. Em suas edições, o Cineclube articula o audiovisual com outras linguagens, como teatro, literatura, moda, música e cultura urbana.
Fundado em 2012 por Marivaldo dos Santos e Fernanda Mello, o Instituto Quabales é uma organização sociocultural sediada no Nordeste de Amaralina. A instituição desenvolve ações de arte, educação, música, cidadania e sustentabilidade, promovendo oficinas, eventos, intercâmbios e projetos que ampliam o acesso à cultura e fortalecem as potências criativas do território.
SERVIÇO
VI Cineclube Quabales – Edição Julho das Pretas
Filmes:
“Tia Ciata”, de Raquel Beatriz e Mariana Campos
“Mulher do Fim do Mundo”, de Ana do Carmo
“Arte Arde”, de Bete Araújo
“Qual o Crime?”, de Zanza
Programação: Exibição dos curtas-metragens e batalha de rimas com o
Movimento Brabas Salcity
Quando: Sexta-feira, 31 de julho de 2026, às 18h
Onde: Instituto Quabales – Rua Aurelino Silva, no 7, Nordeste de Amaralina,
Salvador/BA — casa grafitada na Rua da Igreja de São José de Amaralina
Entrada: Gratuita e aberta ao público
Foto: Acervo Instituto Quabales

