Celo Dut lança primeiro álbum solo e leva “Rei das Ruas” ao Rock in Rio
Com 13 faixas, disco reúne participações de BK’, Liniker, Baco Exu do Blues, Teto e Ravi Lobo e percorre memórias, ancestralidade e diferentes momentos da trajetória do artista
Celo Dut apresenta “Rei das Ruas”, seu primeiro álbum solo. O projeto reúne 13 faixas e participações de BK’, Liniker, Baco Exu do Blues, Teto e Ravi Lobo. O disco foi apresentado ao vivo no último sábado, no Palco Supernova, do Rock in Rio, marcando também a estreia de algumas músicas com banda completa. Depois de passar por diferentes sonoridades ao longo da carreira, Celo reúne em “Rei das Ruas” referências que fazem parte de sua formação e de sua relação com a música. Rap, MPB, ritmos afro-brasileiros e outras linguagens da música contemporânea aparecem ao longo das 13 faixas, construindo um trabalho que parte de experiências pessoais para falar sobre identidade, pertencimento, afeto e transformação.
O álbum é dividido em três atos e acompanha a trajetória de um personagem inspirado nas vivências do próprio artista. No primeiro momento, ele lida com ausências, conflitos e situações que fazem com que crie mecanismos de defesa para seguir em frente. A segunda parte representa uma espécie de guerra simbólica, marcada pela resistência e pelo fortalecimento. Já no terceiro ato, o personagem retorna para casa e começa a deixar de lado as armaduras que construiu ao longo do caminho.
Essa estrutura também acompanha uma mudança na maneira como Celo construiu o projeto. Segundo o artista, trabalhos anteriores eram desenvolvidos com maior preocupação em relação às expectativas do mercado. Em “Rei das Ruas”, a proposta foi partir de outro lugar: fazer um álbum que refletisse suas referências, sua musicalidade e a forma como entende a própria arte.
O título do disco vem de uma expressão que Celo utiliza há anos como uma gíria de sentido positivo, mas ganha novos significados dentro do projeto. A palavra “rei” passa a dialogar com sua ancestralidade e espiritualidade, especialmente com referências a Xangô e aos orixás, presentes em sua formação desde a infância. A partir disso, o álbum aproxima diferentes tempos e linguagens, colocando memória, presente e futuro em diálogo.
A ancestralidade também aparece diretamente em “Katito”. A faixa parte de um canto tradicional do candomblé de Angola que faz parte das reuniões realizadas na casa da mãe biológica de Celo, que também é mãe de santo. O canto, tradicionalmente entoado por familiares nesses encontros, ganha uma nova versão dentro do álbum. A música ainda conta com a participação do filho do artista nos vocais, aproximando diferentes gerações da família.
As participações também acompanham os diferentes momentos da narrativa.
BK’ aparece logo no início do disco, em “Frágil”, faixa que aborda a ausência paterna e a dificuldade de lidar com sentimentos. A música apresenta o personagem antes de sua travessia e introduz parte dos conflitos que serão desenvolvidos ao longo do álbum.
Depois da passagem pela chamada guerra simbólica, a narrativa começa a mudar de direção. O terceiro ato traz sentimentos ligados ao acolhimento, ao amor e à possibilidade de recomeçar.
Em “It’s Fine”, faixa que abre essa última parte, Liniker participa da história. A música acompanha o retorno do personagem para casa e o momento em que ele começa a abandonar as defesas construídas durante a caminhada, permitindo-se experimentar novamente a vulnerabilidade e o afeto.
“Teto” participa de “Lugar Seguro”, faixa influenciada pelo afrobeat e marcada por um momento de maior tranquilidade dentro da narrativa. A música aparece como uma pausa depois dos conflitos e conduz o personagem para a parte final do álbum.
Em “Por Amor”, Ravi Lobo também entra na história. Convidado a experimentar uma escrita diferente daquela que costuma apresentar, o artista participa de uma faixa construída sobre piano e backing vocals. A música trabalha a ideia de que a felicidade não representa necessariamente o encerramento de uma trajetória, mas pode abrir espaço para novos ciclos.
Já Baco Exu do Blues participa de “Brinde a Vida”, ampliando o encontro entre diferentes momentos e linguagens da música baiana.
O disco termina com “Pedrinha de Aruanda”, outra música relacionada à infância de Celo. Depois de passar por conflitos, solidão e resistência, o personagem chega a um novo momento, entendendo que a felicidade não significa o fim da caminhada, mas a possibilidade de começar outra etapa.
A construção musical do álbum começou a partir dos encontros entre Celo e o músico Rodrigo, antes de ganhar novos arranjos e ser desenvolvida em estúdio com banda. Guitarras, teclados, baixo, backing vocals e diferentes músicos participam das gravações. Entre eles estão um ex-integrante da banda formada pelo pai de Celo e Migga Freitas, filho de Carlinhos Brown e Átila Coutinho.
A estreia do álbum nos palcos aconteceu no último sábado, no Palco Supernova, do Rock in Rio. Com banda completa, Celo apresentou algumas das faixas de “Rei das Ruas” pela primeira vez ao vivo. A apresentação também materializou um desejo que acompanha o artista desde a infância: levar sua música para o palco da maneira como sempre imaginou.
“Rei das Ruas” marca o início de uma nova fase na trajetória de Celo Dut. O álbum reúne referências familiares, experiências pessoais, ancestralidade e espiritualidade em uma narrativa construída a partir de diferentes momentos da vida do artista.
Serviço
O que: Álbum de Celo Dut — “Rei das Ruas”
Participações: BK’, Liniker, Baco Exu do Blues, Teto e Ravi Lobo
Ouça: https://celodut.lnk.to/ReidasRuas
Ficha técnica
Direção musical: Celo Dut
Arranjadores: Rodrigo HIT (@rodrigohit) e Marcelo de Lamare (@Marcelodelamare)
Beatmakers: Luango (@luangonobeat) e Estrela (@esstrelaa)
Produtor: Dac7es (@dactes)
Mix/master: Dani Pampuri (@danipampuri)
Backvocals: Camila Ceuta (@camilaceuta), Jaqueline Cardoso (@eujaquecardoso) e Sofia Martins (@sofimartiinszz)
Sanfona: Kiko Horta (@kiko.horta)
Bateria: Migga Freitas e Átila Coutinho (@atila.coutinho)
Sobre Celo Dut
Natural da Cidade Baixa, em Salvador (BA), Celo Dut é cantor, compositor e rapper. Integrante do selo 999, fundado por Baco Exu do Blues, o artista desenvolve seu trabalho a partir do diálogo entre rap, MPB, ritmos afro-brasileiros e diferentes sonoridades da música brasileira.
Filho de músicos, Celo teve contato com a música desde a infância, acompanhando ensaios e apresentações da banda formada por seu pai e seus irmãos. Essa relação com a música e com a família também aparece em “Rei das Ruas”, seu primeiro álbum solo.
Foto: David Campbell

