FLICA 2026 destaca literatura negra e letramento racial em programação especial
De 5 a 8 de novembro, a Tenda Paraguaçu recebe debates sobre ancestralidade, inteligência artificial e racismo algorítmico, em Cachoeira.
A 14ª Festa Literária Internacional de Cachoeira (FLICA) dedica parte de sua programação ao letramento literário e racial durante o Mês da Consciência Negra. Entre os dias 5 e 8 de novembro, a Tenda Paraguaçu reúne escritores, pesquisadores e artistas para discutir temas como inteligência artificial, racismo algorítmico, ancestralidade e narrativas negras, aproximando literatura, educação e tecnologia.
A programação começa na quinta-feira (5), às 11h, com a mesa “Penso, logo… IA: distopias à vista?”, que reúne a cientista da computação e pesquisadora Nina da Hora e a jornalista Miriam Leitão, com mediação de Zulu Araújo. A conversa aborda os impactos da inteligência artificial na sociedade, especialmente os dilemas éticos e as desigualdades raciais que podem ser reproduzidas por esses sistemas. Na ocasião, Nina também lança o livro Do rosto ao vetor: uma história da medição do rosto, da eugenia ao algoritmo, em que investiga o apagamento e a distorção de conhecimentos e identidades de grupos historicamente marginalizados nos sistemas computacionais.
Ainda na quinta-feira, às 19h, o sarau “Sued Nunes Não Anda Só” reúne artistas negros da Bahia em apresentações literárias e musicais. Ao lado da cantora e compositora Sued Nunes, participam Afropecado, Duda Santhana, MC Jaynne e Matheus Kawan. O encontro propõe valorizar a produção artística do estado e do Recôncavo, destacando experiências de ancestralidade, pertencimento e resistência coletiva.
Na sexta-feira (6), às 15h, a mesa “Inteligência ancestral, memórias afrofuturistas” discute as oralidades africanas e diaspóricas como formas de preservar saberes e construir outras possibilidades de futuro. O bate-papo terá a participação do escritor Ale Santos e do pesquisador, professor e tradutor Cesar Sobrinho, com mediação da professora e crítica literária Cristian Sales. Entre os assuntos estão as tecnologias desenvolvidas por povos africanos, amazônicos e latino-americanos e sua contribuição para a literatura, o cinema, os videogames e outras linguagens artísticas.
A programação da Tenda Paraguaçu se encerra no sábado (7), às 18h, com a mesa “Inteligência artificial e racismo – Algoritmos da branquitude”. O debate aborda como sistemas digitais podem reproduzir preconceitos e estruturas históricas de poder. Participam a pedagoga e escritora Nilma Lino Gomes, ex-ministra das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, e o pesquisador Tarcízio Silva. A mediação será de Jamile Borges, professora e vice-reitora da UFBA.
A proposta da curadoria é ampliar a compreensão sobre a leitura para além dos livros, considerando também as histórias, as oralidades e os conhecimentos transmitidos entre gerações. Para o curador Marielson Carvalho, o letramento literário e racial passa pelo reconhecimento das diferentes formas de interpretar o mundo e das experiências que constituem a sociedade.
SERVIÇO
O que: 14ª Festa Literária Internacional de Cachoeira – FLICA 2026 | Tenda Paraguaçu
Quando: 5 a 8 de novembro
Onde: Beira do Rio Paraguaçu, Cachoeira (BA)
Entrada: Gratuita
Mais informações: Instagram da FLICA
Foto: Rodrigo Ladeira

