Mostra de cinema apresenta retrospectiva inédita de Sarah Maldoror em Salvador
Salvador recebe, de 5 a 24 de março, a mostra O Cinema Anticolonial de Sarah Maldoror, dedicada à obra da cineasta franco-guadalupense considerada uma das pioneiras do cinema negro e uma das primeiras mulheres negras a filmar na África. A programação acontece na Sala Walter da Silveira, com entrada gratuita.
Realizada pelo Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), a retrospectiva reúne 34 obras entre curtas e longas-metragens, sendo 19 dirigidas por Sarah Maldoror e outras 15 de realizadores que dialogam com sua produção. A mostra já passou pelo Rio de Janeiro e por São Paulo antes de chegar a Salvador.
Com curadoria de Lúcia Monteiro, Izabel de Fátima Cruz Melo e Letícia Santinon, a programação apresenta filmes que abordam temas como colonialismo, racismo, imigração e movimentos de libertação em países africanos. A abertura acontece no dia 5 de março, às 18h, com a exibição de Monangambé (1968), seguida de Sambizanga (1972), obra premiada no Festival de Berlim.
Além das sessões, a mostra inclui debates, cursos e atividades formativas. A programação também estabelece diálogo com cineastas negras latino-americanas, incluindo a participação da diretora baiana Safira Moreira, que realiza uma leitura dramática de um roteiro inédito de Maldoror e apresenta quatro curtas-metragens.
Nascida na França e filha de pai guadalupense, Sarah Maldoror (1929–2020) construiu uma filmografia com mais de quarenta títulos, que combinam ficção e documentário para retratar lutas anticoloniais e experiências da diáspora africana. Seus filmes abordam também o protagonismo feminino e o pensamento decolonial.
A mostra integra a programação cultural do CCBB em Salvador e marca a primeira retrospectiva dedicada à cineasta na cidade.
Serviço
O que: Mostra O Cinema Anticolonial de Sarah Maldoror
Período: 5 a 24 de março de 2026
Onde: Sala Walter da Silveira
Endereço: Rua General Labatut, 27 – Barris, Salvador
Horários: terça a sábado, a partir das 15h
Entrada: gratuita (retirada na bilheteria)
Classificação indicativa: 14 anos
Programação:
05 de março (quinta-feira)
- 18h – Monangambé – Direção: Sarah Maldoror
(Monangambeee, 1968, 17 min, Angola/França. Classificação: 14 anos)
Sinopse: Os abusos dos traficantes de escravos portugueses em sua colônia de Angola são retratados por meio da tortura de um prisioneiro, fundamentada na ignorância e na incompreensão.
- 18h – Alma no olho – Direção: Zózimo Bulbul
(Alma no olho, 1973, 11 min, Brasil. Classificação: 14 anos)
Sinopse: Metáfora sobre a escravidão e a busca pela liberdade por meio da transformação interna do ser, em um jogo de imagens de inspiração concretista.
- 19h – Sambizanga – Direção: Sarah Maldoror
(Sambizanga, 1972, 97 min., Angola/França. Classificação: 14 anos)
Sinopse: Domingos é membro de um movimento de libertação africano, preso pela polícia secreta portuguesa, após eventos sangrentos em Angola. Ele não trai seus companheiros, mas é espancado até a morte na prisão, e sem saber que ele morreu, sua esposa percorre diversas prisões, tentando em vão descobrir o seu paradeiro.
06 de março (sexta-feira)
- 17h – Uma sobremesa para Constance – Direção: Sarah Maldoror
(Un dessert pour Constance, 1981, 63 min, França. Classificação: 14 anos)
Sinopse: Nos anos 70, Bokolo e Mamadou, varredores na cidade de Paris, buscam uma maneira de custear o retorno para casa de um de seus companheiros doentes.
- 19h – Leitura dramática do roteiro inédito “As garotinhas e a morte”
Direção: Safira Moreira
07 de março (sábado)
- 16h30 – Sessão Carnaval
Fogo, uma ilha em chamas – Direção: Sarah Maldoror
(Fogo, l’île de feu, 1979, 23 min, Cabo Verde/França. Classificação: 14 anos)
Sinopse: A Ilha do Fogo, em Cabo Verde, é o cenário deste documentário dos anos 70 produzido pelo governo revolucionário do novo país, no qual a diretora optou por uma abordagem antropológica. O filme lança um olhar belíssimo sobre uma nação no início de sua independência.
Carnaval no Sahel – Direção: Sarah Maldoror
(Un carnaval dans le Sahel, 1979, 23 min, Cabo Verde. Classificação: 14 anos)
Sinopse: O Carnaval é um evento e uma festividade em que os limites podem ser transgredidos em um contexto repleto de música, sensações e texturas. Neste filme, ele é também o ponto de partida para uma abordagem sobre a história da cultura negra e do colonialismo, com conceitos de identidade e negritude ocupando o centro da cena.
Em Bissau, o carnaval – Direção: Sarah Maldoror
(Carnival en Guinée-Bissau, 1980, 13 min., Guiné-Bissau. Classificação: 14 anos)
Sinopse: Um curta-metragem documental que aborda como os habitantes da Guiné-Bissau enxergam sua identidade e cultura negra, tendo como pano de fundo a celebração anual do Carnaval.
- 18h – Debate: Sarah Maldoror e os cineastas africanos
Convidadas: Amaranta César e Annouchka
10 de março (terça-feira)
- 17h – Curso de preservação: Restaurar arquivos em vídeo da televisão com Nathanaël, Debora Butruce, Eduardo Morettin e Marcelo Ribeiro
- 19h – Poesia em Movimento: Louis Aragon, uma máscara em Paris, René Depestre, poeta haitiano e Léon G. Damas, com comentários de Nathanael Arnould
11 de março (quarta-feira)
- 19h – A batalha de Argel – Direção: Gillo Pontecorvo
(La battaglia di Algeri, 1966, 121 min., Argélia/Itália. Classificação: 14 anos)
Sinopse: Nos anos 1950, o medo e a violência aumentam à medida que o povo da Argélia luta pela independência do governo francês. Sarah Maldoror foi assistente de Pontecorvo nas filmagens.
12 de março (quinta-feira)
- 19h – O hospital de Leningrado – Direção: Sarah Maldoror
(L’hôpital de Leningrad, 1983, 58 min, França. Classificação: 14 anos)
Sinopse: Uma história de prisão política ambientada em um hospital psiquiátrico, onde a polícia estatal de Stalin colocava seus opositores. A narrativa é fiel ao texto original, um conto do escritor russo Victor Serge.
13 de março (sexta-feira)
- 17h – E os cães se calavam – Direção: Sarah Maldoror
(Et les chiens se taisaient, 1976, 13 min., França. Classificação: 14 anos)
Sinopse: Peça teatral cuja narrativa foca na rebelião de um homem contra a escravização de seu povo, filmada no interior do Musée de l’Homme, em Paris. Com atuações de Gabriel Glissant e Sarah Maldoror.
- 17h – Aimé Césaire, a máscara das palavras– Direção: Sarah Maldoror
(Aimé Césaire, the mask of words, 1987, 47 min., Estados Unidos/Martinica. Classificação: 14 anos)
Sinopse: Dez anos após realizar seu primeiro filme em torno do poeta surrealista, dramaturgo, ativista e político martinicano Aimé Césaire, Sarah Maldoror volta a esta figura na ocasião em que recebe uma importante homenagem nos EUA. Ideólogo do conceito de “negritude”, na entrevista que concede a Maldoror, Césaire fala de sua trajetória, reflete sobre história, colonialismo, preconceitos e sobre o papel da poesia.
- 18h30 – Sem Sol – Direção: Chris Marker
(Sans soleil, 1983, 104 min., França. Classificação: 14 anos)
Sinopse: Uma mulher narra os escritos contemplativos de um viajante do mundo experiente, com foco no Japão contemporâneo.
14 de março (sábado)
- 17h – Sessão Sarah Assistente
Elas – Direção: Ahmed Lallem
(Elles, 1966, 22 min, Argélia. Classificação: 14 anos)
Sinopse: No período pós-independência, estudantes argelinas do ensino médio falam sobre suas vidas e comentam como vislumbram o futuro, a democracia e o seu lugar na sociedade. Sarah Maldoror foi assistente de Lallem nas filmagens.
O legado da coruja – Episódio 7 – Direção: Chris Marker
(L’héritage de la chouette – “Logomachie ou Les mots de la tribu”, 1990, 27 min., França. Classificação: 14 anos)
Sinopse: Cineastas ensaístas como Marker e Godard adoram jogos de palavras. Aqui, conforme as imagens mostram como vocábulos de origem grega permeiam a nossa mídia, as placas de rua e até mesmo os grafites, mergulhamos, sob uma perspectiva semiótica, nas bases da própria fala.
- 18h30 – Prefácio a Fuzis para Banta – Direção: Mathieu Kleyebe Abonnenc
(Préface à Des fusils pour Banta, 2011, 28 minutos, França. Classificação: 14 anos)
Sessão comentada por Emi Kode
Sinopse: Uma elegia ao filme perdido de Sarah Maldoror, “Fuzis para Banta”, filmado em 1970 na Guiné-Bissau, durante a guerra de independência e confiscado durante a montagem, na Argélia. Abonnenc estrutura seu filme em torno das fotografias de cena, das anotações do roteiro e de conversas com Sarah Maldoror.
17 de março (terça-feira)
- 19h – Sessão Poesia em Movimento: Louis Aragon, uma máscara em Paris; René Depestre, poeta
Haitiano; Léon G. Damas. Sessão comentada por Lecco França
18 de março (quarta-feira)
- 19h – Sessão Retratos de Mulheres, Retratos da Negritude
Abertura do teatro negro em Paris – Direção: Sarah Maldoror
(L’ouverture du théâtre noir à Paris, 1980, 6 min, França. Classificação 14 anos)
Sinopse: Reportagem de Sarah Maldoror sobre um novo centro cultural de Paris, dedicado ao teatro negro.
Retrato de uma mulher africana – Direção: Sarah Maldoror
(Portrait d’une femme africaine, 1985, 3 min., França. Classificação: Livre)
Sinopse: Reportagem televisiva a respeito da imigração de senegaleses para a França. A cineasta acompanha uma jovem cozinheira senegalesa, que trabalha em um centro de acolhimento para trabalhadores estrangeiros.
Christiane Diop – Direção: Sarah Maldoror
(Christiane Diop, 1985, 6 min, França. Classificação 14 anos)
Sinopse: Reportagem dedicada a Christiane Diop, que comanda a livraria e editora Présence Africaine desde a morte de seu companheiro, Alioune Diop, em 1980.
Primeiro encontro internacional das mulheres negras – Direção: Sarah Maldoror
(Première rencontre internationale des femmes noires, 1986, 6 min., França. Classificação 14 anos)
Sinopse: Reportagem sobre o encontro ocorrido em novembro de 1986, em Paris.
Assia Djebar – Direção: Sarah Maldoror
(Assia Djebar, 1987, 7 min, França. Classificação 14 anos)
Sinopse: Reportagem televisiva sobre a escritora argelina Assia Djebar, por ocasião do lançamento de seu livro “Sombra sultana”. A autora reflete em voz alta sobre as mulheres no mundo árabe, sobre sua relação com o medo, o cerceamento no espaço doméstico e a esperança de ganhar a luz do exterior.
Ana Mercedes Hoyos – Direção: Sarah Maldoror
(Ana Mercedes Hoyos, 2009, 13 min, França/Colômbia. Classificação 14 anos)
Sessão comentada por Kenia Freitas
Documentário dedicado à pintora e escultora colombiana Ana Mercedes Hoyos. Atenta à multiculturalidade colombiana e em especial à presença negra e à história da escravidão na Colômbia, a artista desenvolveu uma relação especial com a população do Palenque de São Basílio, quilombo próximo de Cartagena, considerado o primeiro povo livre das Américas.
19 de março (quinta-feira)
- 19h – Sessão Curtas de Sara Gomez
Crédito foto: BJ Nikolaisen

