10ª edição do Zona Mundi reforça papel do festival como espaço de troca e inovação

Por Isabelle Medeiros

O Festival Zona Mundi encerrou no último domingo, (14/09), sua 10ª edição em Salvador, confirmando-se como um dos mais importantes espaços de conexão entre música, arte, tecnologia e inovação do país. Foram cinco dias de programação intensa, reunindo artistas e agentes culturais do Brasil, Angola e Guiné-Bissau, em uma jornada que ocupou o Cinema do Museu, o Complexo Cultural da Barroquinha, os largos do Pelourinho e o Trapiche Barnabé.

A programação começou na quarta-feira, 10 de setembro, no Cinema do Museu, com uma noite dedicada ao debate sobre políticas culturais e as Cidades Criativas da Unesco, destacando as experiências de Salvador, Recife e Medellín. O segundo dia, no Complexo Cultural da Barroquinha, contou com oficinas e painéis voltados para a produção musical, a circulação de artistas e o reconhecimento dos patrimônios imateriais, como o Samba de Roda da Bahia e a Corá da Guiné-Bissau.

Na sexta-feira, 12 de setembro, o Zona Mundi chegou ao coração do Pelourinho, com apresentações gratuitas em três largos. O público pôde acompanhar shows que cruzaram fronteiras, como os de Nino Galissa, Ana Barroso, Matheus Aleluia Filho, Rei Hélder, Forró da Gota e Os Bambas do Nordeste. Foi uma noite que reafirmou o caráter colaborativo e internacional do Zona Mundi, aproximando Salvador de outras culturas musicais e ampliando os diálogos entre tradições distintas.

O fim de semana levou o festival ao Trapiche Barnabé, com o Palco Petrobras que recebeu grandes atrações. No sábado, 13 de setembro, o público assistiu às performances de Yayá Massemba, IFÁ e Academia da Berlinda, numa sequência que atravessou ritmos e estilos, do eletrônico ao afrobeat, passando pelas sonoridades pernambucanas e baianas. A noite foi marcada por encontros que prepararam o clima para um encerramento ainda mais especial.

No domingo, dia 14, o festival chegou ao seu ápice com uma programação que movimentou o Trapiche e lotou a área externa. A programação começou com Nara Couto convidando o guineense Patche Di Rima. Em seguida, a Sonora Amaralina trouxe para a plateia a energia percussiva e pulsante da cena soteropolitana, conduzindo o público em um mergulho no ritmo da cidade. Logo depois, a Maglore reafirmou a potência do rock baiano, com um show consistente e vibrante que reforçou o lugar da banda na cena contemporânea. O encerramento ficou por conta de Lazzo Matumbi, ícone da música baiana, que dividiu o palco com Céu, criando um encontro raro e marcante. 

Além da diversidade de atrações, a 10ª edição do Zona Mundi também se destacou pelo cuidado com a acessibilidade, garantindo que diferentes públicos pudessem vivenciar o festival de forma plena. Esse aspecto reforçou a proposta de um evento plural, aberto e atento às necessidades de inclusão.

Ao completar 10 edições, o Zona Mundi mostrou mais uma vez porque se consolidou como referência na cena cultural de Salvador e do Brasil. Mais do que uma mostra musical, o festival se afirmou como espaço de troca e experimentação, colocando em diálogo artistas de diferentes trajetórias, fortalecendo conexões internacionais e valorizando a produção local. O encerramento no Trapiche Barnabé não apenas coroou a edição comemorativa, mas também deixou claro o papel do Zona Mundi como parte essencial da vida cultural da cidade, projetando Salvador como território criativo em constante movimento.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *