Cinco artistas da nova cena musical soteropolitana para ficar de olho

Por Isabelle Medeiros

Longe dos clichês, vozes da nova geração musical de Salvador vêm criando um som marcado por experimentações artísticas, ampliando o que se entende por música feita na Bahia. 

Agenda separou 5 artistas soteropolitanos para você escutar!

1 – Felipe Vaqueiro 

Foto: Ricardo Dantas
Foto: Ricardo Dantas

Natural de Salvador, Felipe Vaqueiro é compositor, multi-instrumentista e também atua com trilhas sonoras de projetos audiovisuais. 

Na ativa desde 2016, movimenta a cena independente da cidade com a Tangolomangos, banda que fundou com amigos, e que se destaca por um som que mistura ritmos brasileiros e influências de fora, sempre com os pés na canção popular. Entre violão, guitarra e bandolim, Vaqueiro transita por rock, samba-canção, MPB, progressivo e baião.

É formado em Produção Cultural pela UFBA e tem um trabalho que vai além dos palcos. Já produziu trilhas, fonogramas e colaborações com artistas como Fatel, Rei Lacoste e Flerte Flamingo.

Desde 2022, também integra o duo Fatel & Vaqueiro e mantém colaborações frequentes com Rei Lacoste, seja nas composições, nos estúdios ou nos palcos.

Com a banda, em parceria ou solo, Vaqueiro é um dos nomes que vêm moldando o som contemporâneo da capital baiana, com originalidade e pé no presente.

 

2 – Giovani Cidreira 

 

Foto: Jeff
Foto: Jeff

Natural de Salvador, Giovani Cidreira é cantor, compositor, instrumentista, e um dos nomes mais inventivos da música atual. Com uma sonoridade que mistura MPB, rock, soul, indie e elementos eletrônicos, ele cria um universo próprio que é sensível, moderno e cheio de referências à música negra e à ancestralidade baiana.

Gio começou a carreira como vocalista da banda Velotroz, e ao seguir carreira solo mergulhou numa trajetória marcada pela busca por novas formas de contar histórias. Seus trabalhos transitam entre o pop alternativo e o afrofuturismo, com letras que falam sobre identidade, afeto, espiritualidade e resistência.

Além dos álbuns autorais, também aposta em colaborações e projetos visuais. Já dividiu faixas com nomes como Josyara, Mahal Pita, Ava Rocha, Linn da Quebrada e Vandal.

Em 2024, Giovani lançou Carnaval Eu Chego Lá, seu primeiro álbum inteiramente de intérprete, homenageando o sambista baiano Ederaldo Gentil com arranjos contemporâneos e colaborações de peso como Alice Caymmi, Céu e Vandal. Foi um lançamento estratégico no Dia da Consciência Negra e reforçou seu lugar como um dos compositores mais importantes da nova geração baiana.

 

3 – Jadsa 

Foto: Iago Mati
Foto: Iago Mati

A soteropolitana Jadsa é cantora, compositora, produtora musical e guitarrista que se tornou referência na cena independente da cidade. Ela chegou com tudo na cena musical baiana em 2015, e se estabeleceu com o segundo EP em 2020. Jadsa alcançou repercussão nacional com o álbum Olho de Vidro, que mistura MPB, indie pop e jazz com influência da Vanguarda Paulistana.

Seu som é cheio de contrastes: guitarras cruas, vozes emotivas, grooves que trazem uma mescla de soul e experimentalismo. Jadsa não faz música fácil, mas quando ela entra na cabeça, não sai mais. A obra da artista agrada ao público e também a crítica: seu álbum foi patrocinado pela Natura, entrou na lista dos melhores do ano pela APCA, e trouxe indicações ao Multishow .

Ela vem fortalecendo seu trabalho autoral e visual através de shows marcantes, colaborações com grandes nomes da música e projetos visuais que reforçam sua identidade única.

A base de muita experimentação, Jadsa é dessas artistas que fazem a música brasileira pensar diferente de maneira muito surpreendente. 

 

4 – Livia Nery

Foto: Louise Chin
Foto: Louise Chin

Livia Nery é cantora, compositora, produtora musical e instrumentista com presença forte na cena independente. Formada em jornalismo pela UFBA, começou a carreira se apresentando em bares, e participou de residências artísticas como a Pulso (SP). A cantora virou destaque com o EP Vulcanidades, que lhe garantiu o Prêmio Caymmi de Música de melhor intérprete feminina.

Seu som mistura música brasileira urbana com eletrônicos: samplers, loops e guitarras, costurando MPB, jazz, funk e soul. O álbum Estranha Melodia (2019), produzido com Curumin, mostra bem essa fusão, unindo o groove com a experimentação.

Ela também produz e assina faixas para outros artistas, além de dar oficinas sobre produção musical.

Em 2024, Lívia iniciou uma nova fase na carreira, com o lançamento de singles e a circulação de seu show solo, enquanto compartilha com o público os bastidores da criação de Amojo, seu próximo disco. O projeto nasceu nas madrugadas do puerpério, durante a pandemia, ao lado de sua filha recém-nascida. 

Amojo, palavra que significa a descida do leite para amamentar, carrega esse gesto como símbolo de renovação. Segundo a artista, o álbum pretende soar “fresco e novo”, com “o sabor dos novos tempos que queremos e precisamos viver”.

 

5 – Vírus

Foto: Rafael Passos
Foto: Rafael Passos

Criado no subúrbio ferroviário de Salvador, Jonathan Galdino, mais conhecido como Vírus Carinhoso, é artista multisensorial que invade espaços urbanos com música, poesia e audiovisual.

Originário do movimento de ocupação cultural, começou nas batalhas de rima e transformou essa urgência poética em um som que mescla rap, trap e eletrônica, sempre pautado por performances e videoclipes impactantes.

Desde 2020, o artista lançou dois EPs, um álbum e diversos singles pelo selo 999. Em 2024, entrou no seleto “FIFTY DEEP Music Class of 2024”, que reúne 50 nomes globais de destaque.

 

Os cinco artistas que trouxemos aqui representam só uma parte do que está rolando de potente na nova música soteropolitana. Cada um, à sua maneira, tem quebrado padrões, misturado referências e mostrado que Salvador segue sendo um dos centros mais criativos e potentes do país. Fique de olho, apoie a cena local e acompanhe esses artistas que prometem crescer ainda mais. 

 

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