20 de novembro: um dia para celebrar a herança negra no país 

 

Por Cleo Assis 

O dia 20 de novembro representa muito das raízes carregadas pelo povo brasileiro. O Dia da Consciência Negra, que em 2024 foi marcado pela primeira vez como feriado nacional, é símbolo de resistência negra e reconhecimento de uma luta histórica.

A data foi escolhida em homenagem a Zumbi dos Palmares, um dos mais importantes líderes quilombolas. Assassinado em 20 de novembro de 1695, Zumbi teve sua cabeça exposta em praça pública, como forma de intimidação à quem ousasse resistir ao sistema escravista.

Ao contrário do 13 de maio, que simboliza apenas a abolição formal da escravatura (com a assinatura da Lei Áurea), o 20 de novembro representa a resistência ativa. A abolição, apesar de formalizada, manteve a comunidade negra privada do acesso a direitos básicos e dignidade. Essa abolição incompleta tem, até os dias de hoje, grande papel na manutenção do racismo estrutural sofrido por negras e negros no Brasil.

De acordo com o Atlas da Violência 2025, pessoas negras têm quase três vezes mais chances de serem assassinadas no país. A comunidade negra passa pelo processo excludente do racismo que contribui para que essa população seja empurrada para às margens. Essa estrutura pode ser vista na maior presença de pessoas negras nas taxas de desemprego. De acordo com o site do Ministério do Trabalho e Emprego

Os dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) do 2º trimestre de 2024, apontam que as mulheres negras são as mais prejudicadas no mercado de trabalho. Elas têm o dobro do desemprego dos homens não negros.  Segundo a RAIS, no 2º trimestre de 2024, havia 7,5 milhões de desocupados e a taxa de desemprego média é de 6,9%. Para os homens não negros, é de 4,6% e 10,1% para as mulheres negras.”

As pessoas negras também são maioria no sistema prisional. Segundo o levantamento do Sistema Nacional de Informações Penais (Sisdepen), quase 70% deste grupo é composto por pessoas negras. 

Apesar disso, a cultura negra é de grande valor na história do país, especialmente em Salvador, considerada o berço africano no Brasil. A capital foi o principal porto a receber escravizados durante o Brasil Colônia, sequestrados de suas terras. 

Desde o século XVI, a cidade cultiva essa herança dia após dia. A capoeira, por exemplo, é símbolo dessa história. Declarada como patrimônio imaterial brasileiro, foi durante muito tempo um mecanismo de defesa entre as pessoas escravizadas, disfarçando-se de dança com sons e cantos.

Celebrar o Dia da Consciência Negra é reconhecer que a luta ainda não terminou, honrar a memória de tantos que resistiram e não permitir que a história se repita.

 

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