Boogarins apresenta Bacuri em noite de psicodelia no Pelourinho
Por Isabelle Medeiros
Na sexta-feira, 19 de setembro de 2025, o Pelourinho foi tomado pela energia vibrante de Boogarins. A banda goiana trouxe para o Largo Quincas Berro D’Água o show da turnê do álbum Bacuri, lançado em 2024, em uma noite que reafirmou sua relevância no cenário da música brasileira contemporânea.
A abertura ficou por conta da banda Cajupitanga, que embalou o público com um repertório autoral e inventivo, aquecendo o clima para a imersão psicodélica que viria em seguida.
Formado em 2013 por Benke Ferraz, Dinho Almeida, Raphael Vaz e Ynaiã Benthroldo, Boogarins construiu ao longo da última década uma trajetória marcada pela experimentação sonora, pela mistura de psicodelia com referências brasileiras e por arranjos que transitam entre guitarras carregadas de efeitos e vocais etéreos. Desde o álbum de estreia, As Plantas Que Curam, o grupo chamou atenção dentro e fora do país, passando por palcos internacionais e conquistando uma base fiel de fãs. Obras como Manual (2015), Lá Vem a Morte (2017) e Sombrou Dúvida (2019) consolidaram essa identidade, sempre explorando novas camadas sonoras.
Com Bacuri, a banda retoma um processo mais íntimo de criação. Gravado em casa, no Brasil, o álbum resgata o espírito dos primeiros registros, mas traz consigo o amadurecimento dos integrantes, que hoje conciliam a vida artística com experiências pessoais, como a chegada da paternidade. O título, que remete tanto ao fruto amazônico quanto a uma forma carinhosa de se referir a crianças, sintetiza a ideia de renascimento e de transição para uma nova fase. O disco apresenta arranjos vocais mais elaborados, texturas eletrônicas discretas e um equilíbrio entre frescor e maturidade, mantendo a essência psicodélica que caracteriza a banda.
No palco do Pelourinho esse amadurecimento ficou evidente. Boogarins apresentou as faixas de Bacuri com fidelidade ao registro de estúdio, mas sem abrir mão de clássicos que marcaram sua carreira, em um repertório que agradou tanto os seguidores de longa data quanto aqueles que tiveram o primeiro contato com a banda naquela noite. O público acompanhou de perto os momentos de clímax em músicas que já despontam como destaques do novo álbum, como “Corpo Asa”, além de cantar junto sucessos de discos anteriores.
Mais do que uma parada de turnê, a apresentação em Salvador trouxe à tona o simbolismo da resistência artística. Boogarins atravessou os anos mais turbulentos do Brasil recente, entre crises políticas, pandemia e retrocessos culturais sem abrir mão de sua autenticidade. Em meio a esse contexto, Bacuri surge como prova de que é possível continuar criando com profundidade e identidade, mesmo diante das adversidades.
Ao escolher o Pelourinho, espaço marcado pela história e pela força cultural da Bahia, o grupo estabeleceu um diálogo potente entre tradição e inovação. A noite foi um convite à reflexão e ao transe coletivo, celebrando a música como espaço de encontro e de permanência.

