UNESCO reconhece acervo baiano sobre escravidão como Memória do Mundo

Documentos preservados pelo Arquivo Público do Estado da Bahia passam a integrar o registro regional do programa da UNESCO e representam o Brasil na etapa internacional

O acervo “Passaportes de Pessoas Escravizadas, Libertas, Pessoas Livres e Africanos Repatriados (1821–1889)”, preservado pelo Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB), foi reconhecido pelo Programa Memória do Mundo da UNESCO e passa a integrar o Registro Regional da América Latina e Caribe. O reconhecimento marca o primeiro título internacional conquistado pelo APEB, unidade vinculada à Fundação Pedro Calmon e à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia.

O conjunto documental também foi selecionado para representar o Brasil na candidatura ao Registro Internacional do Programa Memória do Mundo, próxima etapa do reconhecimento promovido pela UNESCO. Além da Bahia, o país será representado pelo Arquivo Público do Estado de São Paulo, com o acervo de Luiz Gama.

Composto por documentos que registram a circulação de pessoas escravizadas, libertas e livres entre 1821 e 1889, o acervo integra a Série Polícia do fundo Colonial/Provincial do APEB. A coleção reúne 1.024 maços documentais, produzidos por autoridades do império, como ministros, presidentes de província e chefes de polícia responsáveis pela emissão de passaportes.

O reconhecimento destaca a relevância histórica do conjunto documental, que registra trajetórias de pessoas negras no período da escravidão e pós-abolição, contribuindo para a preservação da memória social e histórica do Brasil.

Criado em 1992, o Programa Memória do Mundo da UNESCO tem como objetivo promover a preservação e o acesso a acervos documentais de importância histórica, incentivando a cooperação entre instituições e o reconhecimento de patrimônios documentais fundamentais para a memória coletiva da humanidade.

 

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