Maurício Rosário, de Valença para as passarelas do Brasil. Conheça um pouco da trajetória do modelo que vem derrubando preconceitos no mundo da moda. 

Maurício Rosário é modelo, nascido em Valença, Bahia. Sua infância foi marcada por duas descobertas: a primeira foi o diagnóstico de surdez, recebido aos três anos. A segunda, sua paixão pela moda. Mas como conciliar duas coisas tão diferentes?

Apesar das dificuldades na comunicação, Maurício não se impediu de sonhar. Com o apoio da família, seguiu em frente.

Minha mãe me levou para uma agência infantil e comecei a me interessar em ser modelo.

Com dificuldade para se comunicar com Maurício, sua família saiu de Valença em direção a Salvador, buscando melhorias na qualidade de vida do filho. Na capital, ainda na infância, Maurício passou a receber acompanhamento direcionado, frequentando uma escola com ensino de Libras. A nova rotina fez com que a comunicação do jovem fosse aprimorada, principalmente com outras crianças.

“A comunicação ficou mais fácil com contato visual, porque minha identidade e minha língua L1 são a Libras natural e visual da cultura surda.”

Enquanto crescia, Maurício percebia os julgamentos alheios, as pessoas duvidavam da sua capacidade perante o mundo.

Conforme o tempo passava, o jovem se profissionalizou como modelo. Em 2024 teve uma de suas maiores conquistas profissionais: foi selecionado para o Afro Fashion Day, o maior evento de moda negra no Brasil. Porém, Maurício relata que apesar de tantas conquistas, o preconceito complica os processos seletivos: 

“Desafios que ainda enfrento como modelo é a falta de acessibilidade. Muitas vezes, as pessoas ainda não conhecem a cultura surda nem as Libras, o que cria barreiras. Mesmo assim, sigo me adaptando, mostrando meu profissionalismo e provando que a pessoa surda tem capacidade e espaço no mundo da moda.”

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 2,6mi de brasileiros possuem dificuldade auditiva (dados do Censo de 2022). Para esta população, a falta de acolhimento afeta diretamente a qualidade de vida, da escola ao mercado de trabalho. 

Dificuldades na comunicação, acessibilidade escassa e estigmas relacionados à surdez impactam o dia a dia de deficientes auditivos, e criam barreiras no seu acesso a diversos espaços. Isso limita o direito dessas pessoas à cidade, ao lazer e ao mercado de trabalho. Mesmo em áreas supostamente mais inclusivas, como deveria ser a moda, o acesso de profissionais com deficiência a esse setor ainda é difícil. Muitos profissionais acabam sendo desestimulados  pelas barreiras do preconceito de seguir na profissão

Atualmente, Maurício Rosário segue firme na carreira e deixa uma mensagem:

 “Quando a moda se abre para a diversidade, ela se torna humana e representativa.”

 

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