Ramon Gonçalves lança décimo segundo álbum do projeto baiano Aurata: “E então, nada”

O projeto do multiartista Ramon Gonçalves explora, ao longo de mais de 10 anos de trajetória, muitos caminhos que a música em corpo eletrônico pode proporcionar

Quando estamos dormindo, passamos por um estado de consciência intermediário e semiconsciente, entre a vigília e o sono, caracterizado por fenômenos como alucinações visuais e auditivas, sensação de flutuação ou espasmos, fatores que classificam o que se convencionou chamar de Hipnagogia. A partir dessa base conceitual, o projeto baiano AURATA lança seu décimo segundo álbum, intitulado “E então, nada”, dia 27 de novembro, nas principais plataformas de streaming. O link estará disponível na bio do instagram @aurataexperimental

Essa consciência no estado hipnagógico oscila como pêndulo no espaço. O movimento fluido da imagem, a sobreposição inconsciente do sonho nos intermédios da chamada realidade. É no interior dessas flutuações que o álbum “E então, nada” parece residir. O álbum, entretanto, surge como um capítulo final para uma narrativa do zodíaco e seus respectivos pares sígnicos que engendraram o próprio projeto. 

O fim, a morte, o ciclo. São direções temáticas correspondentes às experiências de quase-morte do artista, à pneumonia e às veredas estranhas que a fumaça percorre em cada cigarro mal fumado. Ciclos intermitentes, misteriosos, como o próprio fazer sonoro e sua natureza acústica exata e incompreensível. Tudo desemboca em um trabalho que utiliza da síntese eletrônica como inquietação artística, e parte muito mais da busca por sentir, muito menos de um sentido.

Assim, ao longo de todo o trabalho sons eletrônicos firmes e sintetizadores inquietos permeiam. Na costura de um tecido frágil é que, não somente a voz de Gonçalvez murmura, como também sua própria música.

Uma mudança na construção sonora de Aurata são suas atmosferas sempre densas, mas que aqui se apresentam clarificadas de sons brilhosos e texturas imanentes. Apropriado ao que diz em ‘Adorna’ – “o recurso do timbre é a obsessão da palavra” -, há investigação de contornos, do limite de processos, o que faz das composições se apresentarem com intenções muito bem definidas, mesmo que a partir de sensos dúbios e complexas emoções.

Mesmo apresentando constantes relações em discos anteriores ao Trip-Hop, Glitch, Ambient, Rock Alternativo e IDM, em “E Então, Nada”, Gonçalves difere movimentos muito confortáveis em todas essas direções, mas soa ainda mais agressivo. Talvez, pela euforia de um fim.

 

Serviço

O que: Lançamento do álbum “E então, nada”, do projeto AURATA

Quando: 27 de novembro

Onde: Plataformas de streaming. Link disponível na bio do instagram @aurataexperimental

 

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