Marujinhos Pataxó transformam saber ancestral em patrimônio vivo no álbum “Cantigas de Roda Ancestrais”

Os Marujinhos Pataxó apresentam o álbum Cantigas de Roda Ancestrais, um trabalho que vai além da música para se afirmar como um gesto de preservação cultural e fortalecimento identitário. Fruto de um ano de oficinas realizadas na Aldeia Mãe Barra Velha, no sul da Bahia, o projeto reúne cantigas tradicionais, sambas indígenas e canções transmitidas entre gerações, em um processo que conecta infância, território e ancestralidade.

Mais do que um registro fonográfico, o disco nasce de um encontro potente entre crianças e anciãos da comunidade, promovendo a continuidade de saberes que historicamente se mantém pela oralidade. Ao longo das faixas, o público encontra não apenas música, mas expressões de memória, afeto e espiritualidade, reafirmando o papel das novas gerações como guardiãs da cultura Pataxó.

No centro desse processo está a presença de Maria Coruja, anciã de 86 anos, mulher surda e sobrevivente do Massacre do Fogo de 1951, reconhecida como uma das principais guardiãs da memória cultural da aldeia. Foi a partir de seus ensinamentos que diversas cantigas foram retomadas, fortalecidas e transmitidas às crianças, que agora as registram em estúdio ao seu lado. Sua participação no álbum confere ao trabalho uma dimensão histórica e simbólica, ampliada também pela presença de outras anciãs da comunidade.

O projeto Memórias Ancestrais envolveu um amplo mapeamento cultural em 35 aldeias, resultando ainda em livro, documentários e oficinas. Realizado com apoio do IPAC/BA, o trabalho reafirma a importância de políticas públicas e ações comunitárias voltadas à salvaguarda do patrimônio imaterial, especialmente em contextos de vulnerabilidade e resistência territorial.

SERVIÇO:

O que: Álbum “Cantigas de roda ancestrais”;

Onde: Principais plataformas de streaming;

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