Perfil: conheça Candioco, a música e a poética do “entre-lugar”

Das influências em Vitória da Conquista aos projetos Cajupitanga e Taro, o músico Candioco transforma migração, memória e a transitoriedade dos espaços em composição

Por: Ricardo Barreto

A criação musical muitas vezes se alimenta da relação com o território, da memória e dos deslocamentos ao longo da vida. Para o músico e compositor Pedro Antunes, que se apresenta artisticamente como Candioco, o fazer musical é uma prática diária que vem desde a infância. Tocando desde os 7 anos de idade, quando já movimentava pequenos projetos no colégio, o artista construiu uma trajetória profundamente marcada pelas vivências no interior da Bahia e pelas transformações de seus espaços.

A formação artística de Candioco ganhou traços definitivos em Vitória da Conquista, cidade onde cresceu e estabeleceu suas principais referências estéticas, afetivas e culturais. Foi lá que integrou a banda Taro, um dos projetos mais marcantes de sua caminhada, construído ao lado de Tupy, com quem mais tarde fundaria a Cajupitanga. 

Com a Taro, Candioco circulou por palcos fundamentais para a cena cultural do interior baiano, gravou o EP Alga Marinha, integrando o Selo Piripiri e apresentando-se em eventos de grande porte, como duas edições do festival Suíça Bahiana e o palco de rock do Festival de Inverno da Bahia. O encerramento das atividades da banda aconteceu quando os membros se dispersaram para cursar a faculdade em diferentes cidades. 

A própria identidade geográfica de Vitória da Conquista exerce um papel central na linguagem do compositor. A cidade, segundo ele, carrega a característica marcante de ser um “entre-lugar”: um território no sertão baiano com clima frio, situado na transição entre Caatinga e Cerrado, onde o cotidiano urbano convive diretamente com a cultura rural e o cancioneiro do violão sertanejo.

Essa dualidade ensinou o artista a enxergar o mundo e a arte com fluidez e flexibilidade, refletindo-se em composições que dialogam com diferentes gêneros e temas abstratos. Soma-se a isso a própria experiência de migração de Candioco, que não nasceu em Conquista, mas mudou-se para lá na infância, após um histórico de constantes mudanças de residência.

Para o músico, o ato de migrar coloca a memória em um estado de constante escassez e reconstrução. É nessa transitoriedade que reside o cerne de seu processo criativo: 

“É essa ideia de estar em trânsito, de estar no entre-lugar dos espaços assim, mexe muito comigo. Eu acho que é uma sensação que eu inevitavelmente acabo colocando nas minhas composições porque é algo que mexe muito comigo”.

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