Um filme sobre memória, respeito e admiração – 4,5/5
Por Ricardo Barreto
Michael é a nova cinebiografia do momento. Estrelado por Jaafar Jackson, sobrinho do eterno Michael Jackson, o filme traz uma proposta única para o filme daquele que é considerado o maior artista de todos os tempos: focar na humanidade e na ascensão da carreira de Michael, desde os tempos com o Jackson 5 até o seu auge na turnê Bad..
O destaque do filme se concentra majoritariamente em Jaafar. A entrega, dedicação e respeito com a qual ele interpretou o tio abrilhantam um filme que por si só já é grandioso. Em certos momentos do filme é possível se perder e questionar se quem está em cena é o próprio cantor. Destaque positivo para as atuações. Desde o elenco principal, com Nia Long (Katherine Jackson), Colman Domingo (Joe Jackson) e Juliano Krue Valdi (Michael na infância), até o elenco de apoio que interpreta o resto dos irmãos Jackson e demais personagens, as caracterizações e atuações trazem para o filme uma imersão nos acontecimentos da vida do artista.
Mais um destaque positivo para a cinebiografia são as cenas dramáticas. Muitas pessoas imaginavam que o filme seguiria a famosa linha “chapa branca”, que não abordaria temas pesados da vida do cantor e colocaria personagens que tiveram ações negativas como bons. Não foi o caso desta obra. Nele, é possível observar a influência negativa de Joe Jackson na vida de Michael em vários momentos, desde sua infância até a ascensão de sua carreira solo, evidenciando tanto para os fãs quanto para o público geral os pontos altos e baixos da carreira do cantor. Além destes momentos, o filme também aborda fielmente o famoso incidente no comercial da Pepsi em 1984, onde devido à uma má função dos fogos de artifício, o cabelo de Michael pegou fogo, o deixando com queimaduras de 2° e 3° graus, que deu início ao uso e dependência de remédios, algo que o acompanhou até o fim da vida.
Como ponto negativo, trago a falta de desenvolvimento de assuntos importantes, como o vitiligo, que é retratado com frases curtas e simples, sem margem para discorrer mais sobre um assunto fundamental na vida do artista, e o racismo sofrido principalmente na era Thriller, onde Michael buscava revolucionar o cenário musical com clipes geniais, mas que foram barrados pela MTV por ser de um artista negro, algo que foi reduzido no filme a uma simples frase. Porém essas duas negativas acontecem devido, a meu ver, ao maior vilão do filme: O tempo. O filme, registrado com 2:10h de duração, caso tivesse 20 minutos mais, conseguiria desenvolver todos os ganchos propostos de forma leve e simples, fechando com brilhantismo a obra mais esperada pelos fãs de Michael.
No fim, é uma das melhores cinebiografias musicais já feitas, com acontecimentos fiéis e representações mais fiéis ainda, mostrando a construção do que viria a ser o maior artista de todos os tempos. E para os fãs, resta apenas apreciar este maravilhoso tributo, e esperar ansiosamente pela parte dois.

