AFROPUNK Experience Rio reúne diferentes sons e públicos em uma noite de celebração

Por Isabelle Medeiros 

Afrolai, Ciça, Slipmami, Rachel Reis, Psirico e Carlos do Complexo comandaram a edição do AFROPUNK Experience no Rio de Janeiro, que levou diferentes sonoridades ao Terreirão do Samba

O Rio de Janeiro amanheceu com aquela chuva que faz qualquer pessoa pensar duas vezes antes de sair de casa. Mas, felizmente, ela deu uma trégua antes da noite começar e não conseguiu atrapalhar os planos de quem já estava com o AFROPUNK Experience Rio marcado na agenda.

No fim da tarde de sábado, 15 de agosto, o Terreirão do Samba começou a receber o público que foi até o centro do Rio para acompanhar uma programação que reuniu diferentes nomes da música negra brasileira. A abertura dos portões aconteceu às 17h30 e, a partir das 18h, a programação teve início.

Com uma programação diversa, o AFROPUNK Experience mostrou mais uma vez como diferentes gêneros podem dividir o mesmo espaço quando existe uma conexão maior entre eles. Durante a noite, o palco recebeu Afrolai, Ciça, Slipmami, Rachel Reis, Psirico e Carlos do Complexo, enquanto os DJs ficaram responsáveis por manter o público em movimento entre uma apresentação e outra.

E não era só a música que chamava atenção. Quem chegou ao Terreirão também encontrou um público que aproveitou a ocasião para se expressar através dos looks, dos encontros e, principalmente, da dança. Aos poucos, o espaço foi ficando mais cheio e aquela atmosfera de quem acabou de chegar para uma festa foi dando lugar a um público já completamente entregue à programação.

A programação começou com Afrolai, às 18h. O público ainda chegava ao Terreirão do Samba, mas quem já estava por ali aproveitou para começar a entrar no clima. Afrolai também assumiu o comando das transições entre algumas das atrações, mantendo a música presente mesmo quando os artistas não estavam no palco.

A escolha ajudou a construir uma noite que não dependia apenas dos shows para funcionar. O intervalo também fazia parte da experiência, com as batidas ocupando o espaço enquanto o público se preparava para a próxima apresentação.

Ciça no Afropunk Experience. Foto: Raniele Amorim
Ciça no Afropunk Experience.
Foto: Raniele Amorim

Às 19h20, Ciça assumiu o palco, fazendo seu primeiro show na cidade. A essa altura, o Terreirão já começava a ganhar outro movimento, com mais pessoas chegando e ocupando a área em frente ao palco.

Depois de uma abertura mais gradual, a apresentação ajudou a estabelecer de vez o clima de festa que seguiria pelo restante da noite.

Entre uma música e outra, dava para perceber que o público já estava mais à vontade. Quem tinha chegado cedo começava a se misturar com quem estava chegando naquele momento, e o Terreirão ia ficando cada vez mais movimentado.

O intervalo com DJ Afrolai manteve essa energia até a próxima atração.

Pouco depois, às 20h40, foi a vez de Slipmami. A artista chegou em um momento em que o público já estava mais aquecido e encontrou uma pista pronta para acompanhar sua apresentação.

Às 22h10, Rachel Reis assumiu o palco. Depois de duas apresentações marcadas pelo rap, a chegada da cantora feirense trouxe uma mudança de clima para a noite.

E talvez essa seja uma das partes mais interessantes de um evento como o AFROPUNK. A programação não precisa seguir uma linha reta. Pelo contrário! É justamente a possibilidade de passar por diferentes sonoridades que faz cada apresentação funcionar de uma maneira diferente.

Rachel Reis trouxe sua própria identidade para o palco e apresentou seu trabalho para um público que já estava bastante envolvido com a noite. Mesmo com a mudança de ritmo, a pista continuou movimentada.

Rachel Reis no Afropunk Experience. Foto: Raniele Amorim
Rachel Reis no Afropunk Experience.
Foto: Raniele Amorim

O intervalo seguinte ficou por conta de DJ Carlos do Complexo, preparando o Terreirão para uma das apresentações mais esperadas.

Às 23h40, já perto da meia-noite, Psirico entrou no palco e levou o pagode baiano para o AFROPUNK Experience Rio.

Com o público dançando e cantando, Psirico transformou o espaço em uma grande pista. O pagode baiano encontrou o samba carioca no coração do Rio, criando uma mistura que fazia bastante sentido para aquela noite.

Já na madrugada, às 00h50, Carlos do Complexo assumiu o palco para encerrar a programação.

Produtor, DJ e um dos nomes que representam essa mistura de referências dentro da música eletrônica brasileira, Carlos do Complexo chegou com a responsabilidade de fechar uma noite que já tinha passado por muitos caminhos diferentes.

A apresentação funcionou como uma espécie de último capítulo da noite, reunindo em suas batidas parte da diversidade sonora que marcou o evento. Depois de horas de shows, encontros e mudanças de ritmo, a pista continuava ocupada por quem ainda não estava pronto para ir embora.

Uma das coisas que mais chama atenção no AFROPUNK Experience é justamente a possibilidade de reunir artistas diferentes sem que a programação pareça desconectada, com uma curadoria sempre impecável.

No Rio de Janeiro, isso ficou evidente durante toda a noite. Afrolai, Ciça, Slipmami, Rachel Reis, Psirico e Carlos do Complexo apresentaram propostas distintas, mas todas encontraram espaço dentro da mesma celebração.

Slipmami no Afropunk Experience. Foto: Raniele Amorim
Slipmami no Afropunk Experience.
Foto: Raniele Amorim

Também existe algo importante na experiência de estar em um evento como esse. Não se trata apenas de chegar, assistir a um show e ir embora. Existe o encontro com os amigos, a pessoa que você conhece na fila, a música que toca no intervalo e faz todo mundo cantar, a pista que começa vazia e termina cheia e aquela sensação de descobrir um artista que talvez você ainda não conhecesse tão bem.

No Terreirão do Samba, esses encontros ganharam ainda mais significado. Um espaço tradicionalmente ligado ao samba recebeu uma programação que atravessou diferentes gêneros e gerações, mostrando que a cultura negra brasileira está em constante movimento.

E, no fim das contas, aquela chuva que fez o Rio de Janeiro amanhecer com cara de dia perdido acabou ficando para trás. Quando a noite chegou, o céu deu uma trégua e o público pôde fazer aquilo que tinha ido até ali para fazer. Celebrar a música.

Para quem não pôde viver essa experiência, ainda dá para se programar e aproveitar as próximas datas: 12 de setembro AFROPUNK Experience Recife e 7 e 8 de novembro AFROPUNK Brasil em Salvador.

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